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O ano arranca e não se fala de outra coisa.

2022 mais um ano de propósito

É natural que, quando exercemos uma atividade ou estamos com determinado foco, pareça que a cada esquina te cruzas com o tema.


O meu tema é, desde 2020, o Propósito como condição de sucesso de uma empresa ou organização e todos os dias surgem novos artigos e estudos darem destaque ao mesmo.


Hoje no primeiro chá do dia a sabedoria da saqueta dizia "look for purpose in the place where your deep gladness meets the world's needs". Numa tradução livre, o propósito está no ponto de encontro entre as necessidades do mundo e o que nos faz profundamente felizes.


À parte desta causalidade, será do meu foco, ou o tema de facto tornou-se prioritário?


A consultora McKinsey publicava ontem o ano de 2021 em imagens. Na imagem que destaco das borboletas podemos ler: "Help your employees find purpose - or watch them leave". Que se pode traduzir por: ajuda os teus colaboradores a encontrar propósito, ou assiste à sua partida. Uma referência a um estudo publicado em abril de 2021 que resulta de um inquérito a empresas que afirma "Os colaboradores esperam que os seus empregos tragam um sentido de propósito às suas vidas. Os empregadores precisam atender essa necessidade ou estar preparados para perder talentos para empresas que o farão."


A pandemia não trouxe o trabalho remoto. Era já uma tendência como demonstram muitos estudos aos quais já aqui fiz referência. Mas impôs o modelo de forma abrupta sem que houvesse tempo de preparação.


Líderes e colaboradores começaram a dar uma importância diferente à autonomia, à confiança e à definição de objetivos para cada função. O que gerava muitas dúvidas e receios, por parte de lideranças que não viam com bons olhos a flexibilização do horário e local de trabalho, foi testado nos últimos dois anos. E, contrariamente, ao que os mais céticos da flexibilização vaticinavam, na generalidade muitas empresas registaram aumentos de produtividade, como revela este artigo assente num estudo da Capgemini. Um aumento de produtividade de 63% a que se junta uma redução de 88% em despesas com imobiliário. Ora, redução de despesas e aumento de produtividade são ingredientes muito caros para qualquer gestor.


É natural, por isso, que o trabalho remoto ou modelos de trabalho híbridos estejam para ficar. Uma tendência que coloca os Recursos Humanos das empresas sob uma enorme pressão. Muitas questões se levantam, como por exemplo, como criar cultura de empresa, como formar e integrar novos recursos e por fim, não menos importante, como reter e atrair talentos neste contexto.


Ontem tropecei em mais um artigo de opinião sobre propósito, desta feita, na Human Resources assinado por Ana Rita Lopes, Diretora de Recursos Humanos do Grupo Nabeiro. Ana Rita Lopes numa reflexão sobre o impacto destes últimos dois anos, levanta uma importante questão na gestão de empresas: a importância de dar significado ao que fazemos e que nos define. E termina: "Apenas os que tiverem um propósito que se traduza numa proposta de valor percebida pelos vários stakeholders, incluindo colaboradores, que se traduza em acções sustentáveis do ponto de vista do ecossistema onde opera, seja social, económico, ambiental ou seja da comunidade, saberão manter os colaboradores comprometidos."


E como não há duas sem três, é também esta semana publicado um podcast de uma entrevista a Robin Nutall, sobre propósito e ESG acrónimo de "environmental, social and corporate governance" um indicador de avaliação da consciência ambiental e social de uma organização. E agora permitam-me a transcrição:


"Três coisas importam quando se trata de propósito e ESG. O primeiro é o porquê. O propósito responde à pergunta "porque" é que a sua empresa existe. Qual é o seu impacto positivo no mundo? Porque é que os colaboradores saem da cama de manhã e vão trabalhar? Isso é sustentado por atividades intencionais, que geralmente assumem a forma de questões ambientais, sociais e de governance.


O porquê precisa estar vinculado a "o quê", que é sua estratégia de negócio. Em que mercados e categorias de produto a sua atividade participa e em quais fica de fora? Qual é o seu compromisso com as pessoas e o planeta? Finalmente, "o como" é o modelo operacional. É relativamente fácil criar uma declaração de propósito que apareça no topo do seu site. O que é mais desafiador é fazê-lo viver na organização."

Nestes artigos e nesta frase está muito do que tenho escrito e partilhado por aqui e nas redes sociais. É sempre muito gratificante perceber que estamos muitos a fazer esta reflexão contribuindo para que cada vez mais empresas e gestores priorizem o impacto positivo junto dos seus diversos públicos.


Este é o meu porquê: ajudar as empresas, gestores e empreendedores a fazer este percurso de reencontro com o seu propósito, percurso que impulsiona a inovação, cria verdadeiro ambiente mobilizador e catalisador de recursos e talentos e/ ou porque gera impacto positivo na comunidade.


Percurso que se concretiza no desenvolvimento de uma estratégia de marketing e comunicação que parte do diagnóstico, segue pela estratégia, apresenta um plano, acompanha a sua implementação e avalia resultados. Esta é a proposta de valor de Clara como Água.


Foi em 2020 que nasceu e em 2021 que a concretizei em todas as suas dimensões, desenvolvendo e implementando propostas em pequenas empresas, start-ups e nos últimos seis meses numa multinacional.


Testei o modelo e os resultados estão à vista: atingi todos os objetivos estabelecidos. Clara como Água é o tal ponto de interceção entre uma necessidade de mercado e aquilo que me realiza profundamente. O ponto de interceção que quero ajudar muito mais empresas e organizações a encontrar.


Já escrevi os objetivos para 2022, mas o principal é: não me desviar do meu propósito. E o teu qual é?

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